quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um banho de chuva

Um dos eventos mais desagradáveis que se enfrenta ocasionalmente em uma cidade é a chuva. Dias antes da chuva o ar começa a ficar úmido, aumentando a sensação térmica, evitando a evaporação do suor, fazendo-nos nadar sem uma piscina por perto. Na hora da chuva, é um desastre, vento forte que torna inútil o ato de usar um guarda-chuva, o frio intenso (quando não é daquelas chuvas molha-bobo, que só deixam o clima mais abafado). Os carros congestionam as ruas. Há muito barulho e muita poluição. Atravessar certas ruas torna-se impossível porque é normal alagar, afinal, quem é que se preocupa em jogar o lixo no lixo para não tapar as bocas de lobo?

Hoje, entretanto, não é disso que eu quero falar. A chuva de hoje foi bem leve, mas foi melhor que uma molha-bobo. Foi agradável e refrescante. E a melhor parte, tomei um banho de chuva. E essse banho não foi nas ruas, na frente dos edificios, daquele concreto e aço morto, feio por falta de manutenção e limpeza. Foi lá no Parcão. No meio das árvores. Com aquele aroma da folhagem molhada impregnado no ar. Um final de tarde com sol e chuva, gotas caindo do céu alaranjado. Pouca gente caminhando. Um momento legal. De certa forma, o clima todo remete à infância, quando rebeldemente ignoramos aquele conselho de mãe (e todo conselho de mãe é uma ordem) de não irmos pra chuva pra não ficarmos doentes, e vamos à rua nos divertir, com aquela indescritível sensação de liberdade.

Neste final de tarde, tive um dos mais agradáveis passeios desse ano que se encerra. E no ano que vem os desafios serão outros, a s condições diferentes, quem sabe os passeios e chuvas mais interessantes? Já estou me calejando para voltar a varar (ou seria virar?) as noites estudando, mais uma vez. E aproveitar esses momentos tão importantes da vida que por vezes nos passam batidos, diminuidos frente a ansiedades e preocupações muitas vezes desnecessárias ou simplesmente inúteis.

Só para fechar aproveitando bem o dia, um pouco de PF (prato feito, pedro felipe ou pink floyd):


PS: Meu trabalho de diplomação já teve 164 downloads desde que foi colocado no LUME!

PPS: Fui ouvir Red Sparowes agora. Desafio os leitores a encontrar uma música com nome maior que essa: "And by our own hand did every last bird lie silent in their puddles, the air barren of song as the clouds drifted away. For killing their greatest enemy, the locusts noisily thanked us and turned their jaws toward our crops, swallowing our greed whole."

PPPS: Obrigado ao Ni que me avisou que eu havia escrito conCerto no sentido de arrumar coisas no post anterior. Pior que na hora de escrever eu fiquei uns 5 minutos delirando na frente do teclado para tentar lembrar qual era qual, e tentando me manter acordado. :P

Reciclagem Tecnológica

Galera, eu sei que faz horas que não posto nada por aqui, mas agora achei algo importante. Discuti em uma das cadeiras da faculdade a questão do lixo tecnológico, em um trabalho feito em novembro e, por coincidência, recebi hoje de um colega de serviço um folder informando sobre um evento que a Prefeitura Municipal de Porto Alegre realizará junto com o DMLU e a INOVAPOA neste sábado, 4 de dezembro, na usina do Gasômetro, das 9 às 18 horas: a 1ª Feira de Descarte de Equipamentos de Informática.

Lembrando sempre que seus equipamentos antigos podem acabar contaminando o solo, causando a morte de animais e vegetais, envenenando rios e lagos. Vamos dar um fim adequado às nossas quinquilharias eletrônicas, leva o Pentium 100 que não liga mais, o Pentium III que até a vó acha lento pra jogar paciência, os monitores CRT que tá usando de peso pra papel, a impressora matricial que tá lá na estante, aquela pilha de teclados e mouses estragados que tá lá no armário, etc...

Fica a dica pros nerds de plantão e o folder ta ai embaixo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Breve comentário desatualizado sobre o Rio

Desatualizado porque me baseio em informações de anteontem e mais antigas para escrever isso.

A parte menos importante do comentário é minha opinião sobre a invasão. Por sinal, cabe ressaltar que tudo isso aqui é minha opinião, pois sou egocêntrico pra caralho, uma expressão que não sei se faz sentido.

Essa invasão foi menos pior do que eu pensava. Até onde eu vi, não saíram matando todo mundo, o que é importante. Não sei se é pra manter a opinião publica favorável ou se o pessoal ficou esperto. Por outro lado, invadiram a casa de todo mundo que puderam e ainda deixaram os traficantes fugirem pelo esgoto. Agora pode me dizer como ninguém saber que essa saída era possível, visto que, como obra pública, alguém da prefeitura deveria ter o conhecimento disso?

Outro ponto questionavelmente positivo é que seja mantida a invasão dos morros até se formarem as UPPs lá dentro. Tenho minhas dúvidas quanto a essas unidades, mas até agora se tem falado bem delas, então deixa isso como positivo. Contudo, não é exatamente democrático ter milhões de cariocas em estado de sítio até que isso aconteça.

Depois disso, dizer que a solução é fazer investimentos em saúde, educação, saneamento, etc. é chover no molhado.

A cobertura de guerra é impressionante. Trocentas matérias em jornais, revistas, blogues e o caralho a quatro. E alguams matérias bem escritas inclusives. Números gargantuanos divulgados sobre quantidade de drogas e dinheiro apreendidos nas favelas mostram bem a situação em que se deixou chegar o Rio. Mas isso não resolve. Com esse volume de recursos presentes, ainda acreditam que quem se beneficia de tudo isso está na favela? Não vou dizer que a ação atual não foi importante porque os ataques que estavam ocorrendo deveriam parar de alguma forma. Porém, é apenas uma vitória parcial de uma batalha na geurra contra o tráfico. Muitas águas vão rolar.

Enquanto elogio não ter ocorrido um massacre, fico abismado com a opinião de algumas pessoas. Depois dos preconceitos religiosos manifestados nas eleições e contra os nordestinos depois delas, aparece o preconceito contra o pobre. Não raros por aí dizem que deveria matar todo mundo. Acham que tem que se apertar a favela até sair suco de droguinhas. Têm orgasmos múltiplos toda vez que se mata um bandido. Mas só se for pobre. Tem gente que ainda prega os "direitos humanos pra humanos direitos" mas daí eu pergunto quem é mais direito: o trabalhador que tenta uma vida dura, porém honesta, que não tem condições de sair do dominio do tráfico (praticamente um povo que não saiu da ditadura ainda, em pleno ano de 2010) que quando tiram os traficantes dali entra a policia invadindo a casa ou aquele estudante universitário que fuma uma maconha no fim do dia porque teve uma prova muito dificil? Eu sou a favor da legalização da maconha, mas enquanto for proibida, só financia o tráfico, então é bom conceituar meu exemplo.

Então, entro na pagina do clicrbs hoje e encontro um jogo com a já famosa fuga dos traficantes. http://www.kongregate.com/games/pindorama/fuga-da-vila-cruzeiro/
O "jogo" diz que não tem objetivos, apenas dá uma possibilidade de escolha. No entanto, as únicas coisas que se podem fazer nele são ficar parado ou atirar em todo mundo. Bem chato dos dois sentidos, e tem um contadorzinho ali em cima com foragidos e mortos. Pra mim, a empresa só quis faturar em cima do evento com um "jogo" porquera que deve ter sido teta de fazer. Coloco entre aspas porque não sei a definição de jogo, mas isso me parece apenas procrastinação barata e ineficiente.

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E AGORA, O BREVE COMENTÁRIO.
Das minhas leituras de esquerda e levemente subversivas diárias, comecei a achar a questão dos direitos humanos interessante. Cada dia mais meu entendimento é de que tensões não se apaziguam com mais tensões. A ruptura (que ocorre quando se passa das tensões limites) nunca é um concerto conserto, uma solução. Da mesma forma, não é matando bandido que se resolve a criminalidade e sim matando a corrupção. Mas como temos condições morais de enfrentar essa luta tão dificil (e aparentemente tão distante do cidadão comum) se enchemos o peito de orgulho ao contar vantagem de como burlamos regras para obter algum beneficio, ou nos sentimos meio imbecis quando somos penalizados ao seguir o caminho certo, sem pegar os atalhos da vida?

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PS. Andei lendo comentários de que essa situação do tráfico é culpa do capitalismo, consequencia das leis de mercado, e todo esse trololó aí. Não posso acreditar que o capitalismo seja bom ou ruim, apenas que quem tem o controle dos mecanismos pode ter atitudes boas ou ruins. O que eu acredito é que a falta de regulação e controle é que provoca excessos. Acho que quanto maiores os poderes e responsabilidades que um ente possui, maior a necessidade de haver regras que impeçam abusos desse ser. E isso vale para qualquer coisa da vida, qualquer sistema econômico, político, social, etc. Afinal, usando o exemplo mais clichê do mundo, a energia nuclear ao mesmo tempo em que alimenta usinas no mundo inteiro cria bombas com grande poder de destruição. Ou melhor, ela não cria nada, quem cria são os que a controlam.

domingo, 31 de outubro de 2010

Noite a dois e um duro membro agressivo

Era uma vez dois jovens que não tinham <s>porra nenhuma</s> nada para fazer em um sábado à noite. O motivo era claro, esse sábado antecedia às eleições presidenciais, portanto, a bebida <s>teoricamente</s> só poderia ser consumida se fosse sem álcool. Portanto, para evitar a tentação, esses jovens resolveram fazer um programa mais caseiro.

A noite começa com uma jogatina em um videogame cujo controle apresenta uma forma retilínea e comprida. Diga-se um formato fálico. Porém, como nem tudo na vida são flores, os espinhos apareceram quando acabaram-se as pilhas do controle. Então, pode-se imaginar a tristeza dos dois jovens que não poderiam mais fazer a jogatina a dois da noite. Claro, o melhor programa a dois é sempre ver um filme (ou fazer algo que não acontece com duas pessoas heterossexuais de mesmo sexo que estejam no mesmo recinto, opção nem imaginada).

Escolheram então um filme que rendesse algumas boas risadas. Basicamente, o filme tratava de um tico de um ator pornô possuído por um alienígena serial killer. Dá pra comparar o protagonista do filme com o Serra, que é um careca que come todo mundo. Ou melhor, era um Caralho Voador.

De qualquer forma, o filme era divertido e tosco, o que levou os dois jovens a descerem ao submundo da tosquice musical após o filme. Essa parte vergonhosa não será comentada, mas cabe ressaltar que a Katy Perry é gostosa. Na verdade, dizer que a Katy Perry é gostosa é uma redundância.

Então, pessoal, votem com a cabeça de cima nesse domingo e aproveitem o feriadão pra beber na segunda-feira e curar a ressaca na terça-feira para voltar à labuta na quarta-feira e encerrar a semana na quinta-feira (porque ninguém trabalha na sexta-feira, também conhecida como pré-sábado).

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pra pensar sobre o valor da vida

A situação dos mineiros no Chile me coloca a pensar. São pessoas simples, humildes, de orçamento mínimo, trabalhando em condições precárias por um salário que provavelmente seja pouco e mal supra as necessidades deles e de suas famílias, mas quando suas vidas estiveram sob risco, montou-se uma operação de milhares, talvez milhões, de dólares para salvá-los. Oras, se a vida humana vale tanto, por que só se preocupar com ela quando ela está em risco? Porque não existe envolvimento para tentar melhorar a vida daqueles que não estão em risco? A vida só vale algo quando se está à beiras de perder-se?

O dinheiro investido em seu resgate é muito mais do que qualquer um deles jamais ganhará. Não entendam que eu estou criticando o fato de se investir dinheiro no resgate dessas pessoas, é fundamental que haja todo esforço possível para o resgate destes mineiros e para a manutenção da vida de todos os seres humanos, mas acho uma hipocrisia sem tamanho que esse tipo de comoção e movimento seja feito só nos momentos de tragédias, sendo que se essas pessoas estivessem morrendo de fome, nada seria dito, noticiado ou se tornado um fenômeno midiático como esse, nem teria um monte de gente ao redor, tentando salvá-los, talvez sequer conseguissem um leito em um hospital se estivessem morrendo por alguma doença ou em decorrência de um acidente.

É algo que me faz pensar no valor que se dá ao ser humano, na inconsistência da nossa "solidariedade", na nossa incapacidade de modificarmos esse cenário de banalização da vida e a sociedade egocentrica em que vivemos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Eleições sentimentais 2010

Caro π/4 leitor e π*3,8 seguidores de blog, estou de volta com uma das minhas (por ora) raras atualizações para tecer meus comentários das eleições desse ano. Será um texto recheado de amor, de ódio, de esperança, de preconceito, de teorias da conspiração, ou de muitas palavras sem sentido, porque agora é cedo da madrugada e eu não pretendo revisar o texto antes de publicar.

Faz instantes eu tuitei (@pedrobode) esse texto http://tinyurl.com/253ygnv. Primeiro, é importante ressaltar que o que eu quero aproveitar são apenas fragmentos. Não vou discutir sobre guerra formada pela mídia, ou qualquer coisa do gênero porque não tenho inforamções nem formação suficiente para tecer tais comentários. O que me interessa está na parte final do texto, que trata do bombardeio de informações ao leitor (consumidor), reduzindo a capacidade de análise de tal produto.

Nessas eleições, assim como nas outras (poucas e recentes) que eu me lembro, tivemos grande quantidade de informações recebidas tanto pelos meios tradicionais (jornais, revistas, radio, televisão), quanto por meios de, de certa forma, menor visibilidade como panfletos [1] ou, o que mais me incomodou e é muito mais comum atualmente, os emails.

Enquanto nos meios tradicionais se falava basicamente de escândalos (jornalistas) e de fazer uma campanha limpa (candidatos), nas informações veiculadas por meios alternativos tinha basicamente sujeira. De todas as espécies. Antes de comentar a sujeira, eu gostaria de comentar, assim como já vi alguém blogando por aí, que esses escândalos na mídia têm um efeito positivo. Por um lado, o efeito instantâneo é forçar a investigação de um potencial caso de corrupção. Por outro, força os governantes a serem mais cautelosos quanto a quem vão deixar participar do governo. Ou seja, sai queimado, mas sai melhorado.

O meu problema com os emails foi a quantidade de mentiras que li. Claro, mentiras circulam por tudo que é lugar. Boatos existem nos menores grupos de conhecidos. Porém, a prática do spam mentiroso ultrapassa qualquer limite do bom senso. Eu evitei comentar muito sobre política nessas eleições, basicamente porque, embora meus candidatos estivessem escolhidos, minha convicção neles não estava definida. E eu também não queria enfrentar a raiva cega dos opositores. Isso não evitou que informações totalmente caluniosas, aparentemente surgidas de uma viagem de ácido de alguém fascinado em teoria da conspiração, chegassem a mim.

O que me deixou assustado, indignado e, de certa forma, deseperançoso quanto à humanidade [2] foi quanto a quem estava me transmitindo tais informações. Não eram desconhecidos, não eram pessoas que eu pudesse considerar ignorantes, não eram pessoas de qualquer forma incultas. Eram conhecidos, que têm grande capacidade mental e crítica em muitas áreas (principalmente nas ciências exatas), mas não são capazes de verificar as informações que recebem antes de encaminhar para todos os seus contatos. Eram informações de encher os olhos de qualquer um que vê conspiração em todos os lugares, mas que menos de 1 minuto de busca no Google eram facilmente desmentidas.

Perguntei-me então: o que levou essas pessoas a fazerem tão grave difamação de pessoas que não conhecem, e que, a principio, nunca lhes fizeram mal? Tem duas respostas que achei mais plausíveis. Uma delas, má-fé, que foi o que começou tudo (afinal, alguém escreveu o email). A segunda, o aspecto emocional, que é o que me levou a escrever esse texto, depois de tanta enrolação[3].

Essa parte emocional vem da nossa própria formação. Vem daquilo que aprendemos desde que somos pequenos. Vem dos valores da família. Claro, podemos ter várias famílias durante nossas vidas, vários crescimentos, podemos "nascer de novo" mudar nossa visão sobre o mundo, mas isso já foge da discussão. A questão é que as pessoas ficam impresas em alguns valores sem nenhuma forma de escapar, que nem essa tortura aqui. Isso toma tais seres de sentimentos tão fortes que estimulam um pré-julgamento de qualquer coisa que porventura encontre na vida. Ou seja, esses valores criam o preconceito. E é basicamente isso que eu tenho visto.

É impossível qualquer discussão evoluir quando não são apresentados os contrapontos das ideias. Quando todos concordam, ninguém é capaz de criticar o que está em jogo. Porém, se a voz discordante sofre do preconceito das outras vozes, é simplesmente ignorada por ser falsa, ou ser inferior, ou quaisquer outros adjetivos que puderem ser dados. Mas essa voz quer ser ouvida. Essa voz não se cala. Essa voz tem argumentos que fazem sentido, são lógicos, podem ser criticados. Mas não é possível, porque suas opiniões são falsas! Então os preconceituosos começam a ficar incomodados. E aí criamos o ódio.

O ódio já torna toda a discussão cega. O ódio não chega nem a ouvir a opinião, já prega contra a opinião alheia antes dela ser formada, quem diria quando for comunicada ou ouvida. E aí cortamos qualquer espaço de discussão. As chances da voz opositora ser ouvida são minimas, e é criado o conflito. Então, remetendo ao que comentei acima, esse odio muitas vezes escondido das pessoas que me fez evitar comentarios sobre politica, porque muitos não querem saber de contraponto, estão sempre certos, começam a xingar, eu me irrito também, e todo mundo quebra o pau.

Agora, os valores transmitidos pela(s) família(s) não precisam ser, necessariamente, julgamentos sobre os diferentes. Existem duas palavras que eu acho que são chaves para qualquer discussão saudável. A primeira, a tolerância. Por mais que nossos interlocutores se oponham às nossas ideias, nós devemos tolerá-los antes de criticarmo-nos [4]. E eles também devem ser tolerantes, afinal, quem emite uma opinião está sujeito a ouvir uma opinião contrária. E esse debate é saudável. Abre um mundo de possibilidades às quais, pela nossa opinião limitada, não sabíamos da existência.

A segunda palavra chave, e correndo o risco de ser deveras piegas, é o amor. Devemos amar às nossas ideias como amamos a nós mesmos. Esse foi o melhor contraponto que encontrei à ideia do ódio exposta acima. As nossas causas devem ser defendidas porque elas têm valor para nós. As nossas ideias devem ser evoluidas porque nada do que amamos pode ficar para trás [5]. Então, não deve ser o ódio a embasar nossas discussões, e sim o amor. Não devemos praticar o preconceito, e sim a tolerância. E digo mais, a tolerância e a curiosidade estão fortemente relacionadas. Se não toleramos o diferente, por que ele seria atraente a nós? Por que teríamos vontade de conhecê-lo?

Então, a pequena ligação que eu queria fazer com o texto linkado era que, no meio da avalanche de informações que recebemos, a quantas (e mais importante, a quais) delas estamos abertos o suficiente para fazermos uma análise critica do que lemos, e a quantas emitimos nosso valor pré-julgado de verdadeiras ou falsas, seguindo unicamente nosso preconceito ao comunicador ou às suas ideias?

Notas
1. aqueles que impedem pessoas estabanadas que nem eu, ou de salto, de caminharem no dia das eleições.
2. aqui eu gastei praticamente toda a barrinha de especial dramático;
3. estou com um texto trancado aqui porque enrolei demais e fiquei com preguiça de reler para torná-lo legível;
4. se a palavra estiver errada, favor me avisar;
5. "n" interpretações possíveis para deixar para trás o que amamos.

PS
O texto ficou longo, acho que depois do trabalho de conclusão perdi toda a minha capacidade de síntese. Também acabei virando a noite porque não queria perder a oportunidade de escrever agora, já perdi outras sobre outros assuntos e nunca mais consegui publicar. Se alguém quiser saber onde procuro informações, é só perguntar pra mim ou pro Fred, ele deve saber o que eu compartilho no Google Reader (se lê, são outros 500, mas tenho certeza que tolera :P).

PPS
Eu só gostaria de acrescentar que eu fiquei meio chateado vendo blogueiros, outrora críticos, fazendo pura campanha em seus textos. Um dos motivos para eu querer que terminem logo as eleições é poder ler textos críticos de qualidade novamente.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pesadelo I

PARTE I

Tudo começa com uma viagem de trabalho a uma cidade do interior, na casa de C1. Ao chegar no destino, descubro que essa cidade não fica no Brasil. Também descubro que, após completadas as tarefas, o primeiro ônibus de volta sai às 4h40. Por conveniência, de forma a se ter mais tempo de sono, a viagem fica marcada para às 6h00. Após uma breve conversa com C1, encontro-me com pessoas que se dirigirão também à rodoviária, acertamos a carona e dirijo-me à cama. Todavia, antes da viagem, a casa começa a pegar fogo e para completar meus objetivos devo encontrar algo importante no terceiro andar da casa. Mesmo após muitos movimentos acrobáticos pela casa afora, só dá tempo de pegar a estrela do Mario na estante de livros. Missão cumprida sem objetivos extras.

PARTE I - EPÍLOGO

Estamos no carro, rumando a rodoviária, quando alguém lembra que esqueceu de algo. Retornamos. O sonho terminou.

PARTE II

Chegamos em um hotel grande, com pavimentos subterrâneos, uma boate, e sabe-se mais o que tinha por lá. Por algum motivo, na hora pensei estar em um porta-aviões (Rivet City, talvez?). Um amigo apresenta-me a uma guria que, apesar de falar português fluentemente, exige que os diálogos procedam em alemão. C2 avisa-me de que, para entrar na festa, só é permitido o uso de sapatos. Um outro amigo aparece e me conta os rolos envolvendo C2, e a história dos pais de C3.

Após um breve jogo de videogame, encontro C3, que explica porque estamos no país em que estamos (que eu não tenho ideia de onde é) se seus pais são portugueses (imigração, meio óbvio...). Encontro-me então no elevador, com a moça supramencionada e de tênis, rumo à festa. Tento perguntar se é verdade a história de que não se pode entrar de tênis na boate mas não lembro como se fala tênis em alemão. Olho para baixo dentro do elevador e todas as pessoas estão de sapatos. Aparentemente era verdade.

/* Nesse momento do texto, aproximadamente às 5h, alguém no prédio joga Mario e os passarinhos já cantam.
*/

Estou com C3 no deck do porta-aviões, estamos armados e perseguindo zumbis. C2 mata um zumbi, eu vou atrás do outro. Reinicia.
C2 mata um zumbi, e eu deixo que mate o outro também. Reinicia.
Eu vou atrás dos dois zumbis antes de C2. Reinicia.
C2 vai atrás dos zumbis e eu deito num colchão e tento dormir. Os grunhidos ficam cada vez mais próximos e eu acordo.

Horário: 4h40

---

Considerando que tinha ido dormir às 2h30, parece que foi meio cedo isso, e dessa vez eu resolvi anotar porque acho que me aconteceu a mesma coisa semana passada. E o vizinho estava jogando Mario, deu par perceber pelo barulho dele entrando pelo cano.

Observação pertinente. C1, C2 e C3 são pessoas conhecidas, quaisquer outras pessoas presentes no sonho eu não identifiquei como sendo conhecidas na vida real. :)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Epoca de eleições + FPS = slayer: Dittohead

This fucking country's lost its grip
Subconscious hold begins to slip
The scales of justice tend to tip

The legal system has no spine
It's corroding from inside
Slap your hand you'll do no time

Reality on vacation
All across a blinded nation
Mentality under sedation

Anyone can be set free
On a technicality
Explain the law again to me

Here in 1994
Things are different than before
Violence is what we adore

Invitation to the game
Guns and blades and media fame
Every day more of the same

Murder, mayhem, anarchy
Now are all done legally
Mastermind your killing spree

Unafraid of punishment
With a passive government
There's nothing for you to regret

Nothing to regret

Unimposing policy
No enforcing ministry
Gaping with judicial flaws
Watching a fading nation crawl

(Lead: Hanneman)

Clashing with the public's frame
I'm the one that's place in fame
Legislature sets the stage
Social slaves caught in my rage

(Lead: King)

Administrative anarchy there's nothing
You can do to me
The world around you drifting to a
Continental tomb you see
Violence is my passion
I will never be contained
Living with aggression and its
Everlasting reign

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Assunto de utilidade (transporte) pública(o)

Continuando a série de temas importantes, dois endereços com uma notícia ao mesmo tempo atual e antiga (porque na internet, se tem mais de 2 dias já é antiga, e essa tem quase um mês).

http://marchettoeschneider.wordpress.com/eventos-recentes/2477-2/
http://wp.clicrbs.com.br/cacaumenezes/2010/06/01/e-democratura/?topo=77,1,

Essa manifestação já é de longa data, envolveu muita gente, e agora envolve gente que cansou de apanhar lutando pelos seus direitos. Vale prisões sumárias, bastão elétrico, spray de pimenta e outros métodos menos agressivos.

Como comentado nas notícias acima, até invasão da universidade vale. Imagino quem que os manifestantes estariam incomodando à noite dentro do campus. Nota-se que diversos atos têm ocorrido à noite, então, não são coisa de "vagabundos que não trabalham", como eu ouço muito dizer por aí.

Existem duas formas básicas de ter seus direitos garantidos. Uma é votando, a outra é exercendo o direito da liberdade de expressão.

Claro, o vice-prefeito de Florianópolis acha que tem uma terceira forma: indo embora, como dito nessa matéria do Diário Catarinense. Eu acho que, se há um grande número de pessoas reclamando, há algo de errado na gestão pública, e não nas pessoas. Mas, sei lá, é só a minha opinião.

Por fim, passo aqui o blog da Frente de Luta Pelo Transporte, com muitos textos, fotos e vídeos para quem interessar possa, seja a fim de divulgar, conhecer, ou se deliciar sadicamente com cenas de violência policial.


Agora, o breve comentário técnico sobre o ciclo estabelecido pelo rápido aumento do valor do transporte público. Quanto mais cara a passagem, mais pessoas optarão pelo transporte individual, já que o preço um pouco mais caro pode compensar o maior conforto. Então, como o transporte público terá menos usuários, as passagens deverão ser encarecidas, de forma a compensar a menor receita com o maior gasto. Isso provoca um grande aumento do tráfego, levando o transporte urbano à crise.

Uma nota digna é que, como a manifestação é em relação a um meio de transporte, nada mais adequado que usar meios alternativos de transporte na manifestação. Como visto nos endereços acima, foram realizadas bicicletadas de manifestação. Uma foto famosa mostra a diferença espacial entre usar bicicletas, ônibus e carros em uma via. E um endereço que encontrei procurando por tal foto mostra um cálculo que pode ser realizado para ver se vale mais a pena, economicamente, andar de bicicleta, de carro ou de ônibus. É interessante ver que o autor foi obrigado a colocar valores em variáveis aparentemente subjetivas, então, o cálculo não seria o mesmo para todos, mas dá para usar como base.